sábado, 8 de dezembro de 2007

TRINTA MILHÕES DE CRENTES FERIDOS ESTÃO ESQUECIDOS NAS TRINCHEIRAS



A igreja talvez seja hoje o único exército do mundo cujos soldados não voltam para buscar seus feridos no campo de batalha. Ao contrário, substitui-os rapidamente no batalhão e segue em frente, esquecendo-se que muitos soldados de valor ficaram à beira da morte pelas trincheiras.
Caso o último censo do IBGE tivesse incluído questão sobre o número de "desviados" no Brasil, o resultado seria assustador.

Calcula-se que hoje existam no País entre 30 e 40 milhões de "desviados". Por "desviados" entenda pessoas que um dia tiveram seus nomes no rol de membros de algum grupo cristão, mas que hoje estão à margem da vida da igreja.

Estas pessoas - cuja boa parte povoa hospícios e presídios ou, saco às costas, vagam errantes à beira de estradas - um dia confessaram alegremente a Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador e no outro se viram literalmente jogados na sarjeta espiritual!!!

Nesse contingente de desviados há casos para todo tipo de pessoas. Do endurecido ao desprezado, do chafurdado na lama pelo engano do pecado ao desesperado para sair dele. Todos sem ninguém para lhes estender a mão.

São pessoas desesperadas por uma nova chance, mas não acham quem lhes socorram. Sabem que a igreja é o lugar onde poderiam reencontrar a paz para suas almas, mas ali - pensam eles - há santos demais para admitir o retorno de um filho pródigo.

Afinal, com ou sem motivo, um dia foram expulsos sumariamente. Seja porque inadvertidamente cortaram os longos cabelos, usaram shorte ou caíram em erros considerados "sem volta" por seus líderes. Alguns até foram apresentados como réus, disciplinados, escrachados, alijados da comunhão, envergonhado e, não raro, se excluíram ou foram excluídos. Como Satanás, foram expulsos do paraíso. Como Caim, receberam uma mancha na testa e foram condenados (na maioria das vezes por seus “líderes”) a andarem errantes pelo mundo pelo resto de suas vidas miseráveis. Um dos problemas é que em seus casos específicos, não foi Deus o autor do juízo sumário.

Com tamanha carga sobre as costas, voltar é passo difícil, em algumas situações, impossível.
- São muitos daqueles que se dizem cristãos que discriminam e rejeitam os desviados. Não são eles uma ovelha perdida? Infelizmente muitos se vestiram com a capa de “sacerdotes” e “levitas” e passam de largo para não se contaminarem quando se encontram com algum desviado, quando na verdade também estão desviados da Palavra do Senhor.

- A igreja vê o desviado como se fosse um “Judas Iscariotes”, que traiu ao Senhor e a sua denominação, e o trata como se fosse lixo que precisa ser retirado do meio dos “santos”. Mal sabem que o desviado é como o ouro de Deus que se perdeu na lama podre. Está perdido na lama, mas ainda é ouro e precisa de gente interessada... garimpeiros que estendam a mão e vasculhem até encontrá-lo, sem se importar com que alguns “santos” digam.

Na próxima vez em que for a um culto, pare um instante e olhe à sua direita e à sua esquerda. Agora, saiba que daqui a dez anos é possível que a senhora, o jovem sorridente e o austero senhor que estão em cadeiras ou bancos próximos a você cantando louvores, estejam completamente afastados da igreja, amargurados com Deus e entristecidos por algum motivo.
É possível imaginarmos que numa congregação com 10 anos de funcionamento que tenha mantido média de 200 membros, viu passar por seu rol de membros ao longo dessa década o dobro desse número. Como explicar uma evasão como essa? O que há de errado? Que tratamento estamos dando uns aos outros? Estamos realmente vivendo em comunidade cristã? Que evangelho está sendo pregado nos púlpitos de nossas denominações evangélicas?

Segundo o pesquisador cristão, Sinfrônio Jardim, as contas que têm feito ao longo de suas inúmeras cruzadas Evangelística pelo desde 1994, quando começou a trabalhar com desviados, 400 pessoas que passaram por uma denominação evangélica que tem média de 200 membros, estão desviadas hoje.

Em português claro e chocante: a igreja permanece com sua média de 200 membros, substituindo-os naturalmente. Mas essa rotatividade originada na dificuldade de "fechar a porta dos fundos" resulta ao final de 10 anos em perda de 200% no número de pessoas. Esses números, destaca Sinfrônio Jardim, são relativos apenas a desviados. Aqui não estão incluídos outros itens, como mudança de membro para outra igreja.

As causas para o chamado desvio de pessoas na igreja são variadas, explica Sinfrônio Jardim. Desde o abandono da fé em razão da volta voluntária ao pecado até a exclusão pelas lideranças em decorrência de coisas pequenas mas por eles, consideradas pecado.Pessoas que foram excluídas por causa do legalismo exacerbado de denominações evangélicas cujos líderes zelosamente disciplinaram com exagero pequenas contravenções. Na ânsia de limpar o pecado, jogaram fora o "pecador" junto com a água suja.

Imaginemos quantos não estão sofrendo, afastada da igreja por causa de coisas pequenas, como ter cortado o cabelo, ter deixado a barba crescer e até, pasme, por ter sido visto andando de bicicleta.

Outra causa para o apartheid espiritual de muitos é a decepção com lideranças. O membro procura alguém para confessar uma fraqueza ou pecado e, em vez de perdão e ajuda para vencer o mal, recebe maior condenação e ainda é apresentado à congregação como um réu. Que absurdo!!! A bíblia nos aconselha a confessarmos os nossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para sermos curados e não condenados.

As profecias falsas são também causa importante de desvio da fé. Inúmeras pessoas naufragam depois de receber profecias falsas. A pessoa tem o filho doente, por exemplo, e recebe uma "palavra de Deus" de cura. Pouco tempo depois a criança morre. Ela fica desesperada. Ou então ouve que deve se casar com alguém porque é vontade de Deus. Obediente, casa-se e algum tempo depois percebe que a voz ouvida não era da parte de Deus. Em vez de se decepcionar com o homem, decepciona-se com Deus e sai da comunhão.

E há, claro, o grande número de pessoas que se aproxima de Deus seduzidas por propagandas enganosas. Chegam porque alguém lhes prometeu prosperidade aqui e agora, mas não percebem as implicações do discipulado a Cristo. Querem as bênçãos do cristianismo, mas nada de porta estreita e caminho apertado. Querem sair do mundo, mas levar o pecado a reboque. "Querem a salvação, mas não querem largar o pecado".

Depois que experimentam a expulsão do paraíso, poucos conseguem encontrar lugar de arrependimento. Pior é que se forem depender de boa parte de algumas lideranças e/ou denominações para isso, já terão na mão o passaporte para o inferno.
Numa pesquisa de Sinfrônio Jardim Neto, entre 60% e 70% dos desviados não recebem qualquer visita de líderes ou membros após sair da congregação. São simplesmente descartados ou substituídos por outros membros.

O restante dos desviados (entre 40% e 30%) recebe de uma a três visitas, que se revelam infrutíferas, porque na maioria das vezes a visita é de cobrança ou condenação. Em vez de amar o pecador e odiar o pecado, os visitantes lançam ambos na cova profunda do inferno. Jogam pedra, condenam. Decretam o inferno-já para o pecador. "É como bater de vara sobre a ferida de alguém... o ferimento e a dor só vão aumentar", compara Sinfrônio Jardim.

Ainda segundo a pesquisa de Sinfrônio Jardim, existem três lugares onde sempre vai se encontrar desviados: nos hospícios, nos presídios e na mendicância.

- Vá a um hospício e ali você encontrará muita gente internada que recita versos bíblicos e canta hinos evangélicos. Estas um dia se afastaram, caíram em pecado e os demônios (com o auxílio de alguns “santos”) tomaram conta de sua vida.

- Depois visite um presídio e você encontrará inúmeros “Josués”, “Elias” e “Samuéis”. Detentos de nomes bíblicos, que demonstram o berço cristão. Ali você começa a conversar com um deles e descobre que é filho de crente!

- Por último, passe próximo as rodoviárias e estações de trem ou tente conversar com um andarilho de beira de estrada. Pelo menos três entre dez destas pessoas que andam bebendo errantes, sacos de bugigangas às costas, já foram membros de uma igreja evangélica. Ali, não raro, você encontra homens que um dia ocuparam solenes púlpitos e pregaram o evangelho.

E por que não voltam? Sinfrônio Jardim entende que a falta de perdão a si próprio e da própria comunidade cristã e o entendimento errado que incutiram em sua cabeça de que o que fez é imperdoável por Deus, afastam-nas cada vez mais do ponto de retorno.

- Mais da metade dos que se desviaram tem problemas sérios com o ressentimento e falta de perdão. Não voltam porque não conseguem perdoar, ou não querem perdoar ou acham que não merecem perdão.

O peso que está sobre a pessoa fica insuportável às vezes, explica Sinfrônio Jardim. Há denominações, por exemplo, que pregam que quem pratica adultério jamais será perdoado. Isso, sem falar daqueles que pregam a palavra a seu bel prazer objetivando pressionar psicologicamente e levar cativa a mente daqueles menos entendidos para que estes flutuem em volta daqueles.

Ora, com um decreto como esse na cabeça, o pecador desiste de qualquer tentativa de reconciliação com o Deus irado que lhe foi pintado e se transforma em um monstro na terra.
Passa a praticar os mais baixos pecados, porque, pensa, se já está condenado ao inferno por toda a eternidade, resta aproveitar seus dias na terra.

Hoje a maioria das denominações evangélicas não possuem qualquer trabalho específico para trazer as ovelhas desviadas de volta aos caminhos do Senhor. Ninguém pensa em deixar suas 99 ovelhas e sair atrás da centésima, extraviada.

Sinfrônio Jardim também tem explicação para esse fenômeno: Afirma que na visão expansionista de muitas denominações, hoje é pouco lucrativo deixar 99 ovelhas e sair por lugares ermos atrás de uma ovelhinha extraviada que nem sabe se está viva ou que talvez esteja tão ferida que não tenha chance de sobreviver.

- Muitos acham que não vale a pena tamanho esforço, que vão perder tempo. E, para aliviar suas consciências, usam o argumento de que tais pessoas já conhecem a palavra.
Outros chegam a usar versos bíblicos para justificar o esquecimento. "Saíram de nós porque não eram dos nossos..." é um dos mais recitados. Que absurdo! Isso causa indignação.

A falta de visão de restauração descrita por toda a bíblia é ignorada nesses casos. "Buscar ovelhas perdidas é visão antipática em muitas denominações", lembra Sinfrônio Jardim. "Isto porque quando o membro sai, geralmente sai falando mal daquela denominação igreja ou da liderança. Acaba ficando mal visto dentro da própria congregação que, em vez de amá-lo e perdoá-lo, passa a tratá-lo como ovelha negra. Desta forma, quando alguém se dispõe a ir atrás dessa ovelha perdida, torna-se também impopular e corre o risco de ser também mal visto. E poucos estão dispostos a isto".

O retorno com sucesso dos desviados à congregação depende basicamente desta tomar uma atitude séria. "A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil, mas se a igreja toma uma atitude de ir buscá-los, consegue até 80% de sucesso", afirma o pastor Sinfrônio Jardim.

* Há hoje, apenas no Brasil, entre 30 milhões e 40 milhões de pessoas que um dia freqüentaram alguma denominação evangélica.

* Uma igreja de 10 anos que manteve média de 200 membros viu passar por seu rol o dobro desse número. Isto é, 400 pessoas que passaram por essa igreja estão desviadas hoje.

* A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil.

* Entre 60% e 70% dos desviados não receberam qualquer visita de líderes ou membros quando decidiram sair da igreja.

* Entre 40% e 30% receberam de uma a três visitas, que se revelaram na maioria das vezes de cobrança ou condenação.

* Hospícios e presídios são os lugares de destino de boa parte dos desviados.

* De cada 10 andarilhos, 3 deles freqüentaram alguma igreja um dia.

* A maioria dos desviados (acima de 50%) é afetada pelo ressentimento com sua liderança.

Que o Senhor nos ensine a buscar as ovelhas perdidas de sua casa. Amém.

FALTA DE UNIFORMIDADE - Por Donald L. Norbie


Muitos hoje em dia insistem em afirmar que havia grandes diferenças entre as igrejas do Novo Testamento com respeito ao seu funcionamento. Recentemente lemos a seguinte afirmação: "se a uniformidade não existia nos tempos dos apóstolos, seria utopia esperá-la hoje!".

Sem dúvida havia diferenças em horários e outros detalhes, mas nunca as diferenças marcantes que vemos hoje nas igrejas. O que parece é que hoje não existe um padrão a ser seguido. As igrejas devem funcionar, então, numa maneira pragmática, cada uma fazendo o que entende? Se for assim, não há certo ou errado, se funcionar para si, tudo bem.

Vemos hoje uma variedade de sistemas de governo. Esta variedade encontra-se nas Escrituras? A resposta é não. O governo naquela época sempre foi pela pluralidade de anciãos. Os anciãos são mencionados como os que lideraram a obra em Jerusalém (At. 11:30). Quando as igrejas foram estabelecidas, Paulo e Barnabé eram diligentes em apontar anciãos em cada Igreja (At. 14:23). Mais tarde Paulo enviou Tito para estabelecer anciãos em todas as cidades de Creta (Tito 1:5). Ele teve o cuidado de deixar escritas as qualificações para este serviço (1Tm. 3:1-7). Diáconos também foram mencionados. Estes foram apontados quando era necessário (At. 6:1-6; Fp. 1:1).

Em nenhum caso achamos os apóstolos apontando um homem como o bispo ou o pastor de alguma igreja. Essa prática, que hoje é tão comum na cristandade, é totalmente sem apoio nas Escrituras. As igrejas no tempo do Novo Testamento eram uniformes na sua organização. Nestas igrejas havia liberdade para o desenvolvimento e operação dos dons espirituais (1Cor. 14:26).

Paulo não viu isto como uma "opção" mas sim como mandamento de Deus (1Cor. 14:37). Um sistema clerical, ao restringir as pregações a um grupo de elite, limita a operação do Espírito Santo.

Quanto à Ceia do Senhor, será que podemos optar pela periodicidade que mais nos convém? A Ceia era uma parte vital do funcionamento semanal da igreja primitiva desde o dia de Pentecostes (At. 2:42; 20:7; 1Cor.11). Igrejas que procuram seguir o exemplo apostólico mantêm a prática de celebrar a Ceia do Senhor semanalmente e deixam a reunião aberta para a adoração espontânea. A adoração espiritual é sufocada pelos ritos do formalismo.

O papel da mulher na Igreja foi visto no Novo Testamento como algo negociável. Não. Paulo enfatizou que nas reuniões os homens deveriam liderar e as mulheres manterem-se em silêncio (1Cor. 14:34,35, 1Tim. 2:11,12). Paulo afirma que este ensino, tão marginalizado hoje, é mandamento do Senhor e acrescenta que esta era a prática universal das igrejas - "como em todas as igrejas dos santos" (1Cor. 14:33). Não vemos diversidade nas palavras do apóstolo. Quando as mulheres resolveram falar nas reuniões causou uma grande confusão. Este abuso de dons levou Paulo a condenar tal atitude (1Cor. 11:3-16).

Havia na conduta dos primeiros pregadores um modelo para nós hoje? Sim. O caminho deles era um caminho de fé, sem pedir ou solicitar.

Cristãos voluntariamente contribuíam para o sustento material deles. Quando era necessário, eles trabalhavam com as próprias mãos para tirar o seu sustento (At. 20:33-35). Paulo disse: "Imitai-me" (1Cor. 11:1). Existe um modelo melhor para o pregador de hoje?

Nos dias do Novo Testamento era possível viajar-se de ponta a ponta no império romano e sentir-se "em casa" nas igrejas. O horário das reuniões e outros assuntos menores variavam, mas a estrutura permanecia a mesma. O mesmo deveria acontecer ainda hoje. A estrutura das igrejas deveria ser igual. Os princípios neotestamentários funcionavam efectivamente em todas as culturas.

O Novo Testamento, de facto, dá orientações para que as Igrejas os sigam. Os apóstolos declararam ter autoridade divina para os seus ensinos; eram mandamentos do Senhor. Ao invés de ser influenciada pela pressão do mundo, a igreja precisa de ser o lugar onde Deus é soberano e cuja Palavra tenha autoridade. O ensino dos apóstolos precisa de ser ouvido hoje como o foi no primeiro século.

Que Deus levante pregadores e ensinadores que proclamem a Palavra com fidelidade.

SINAIS DE PERIGO NA IGREJA LOCAL - Por Arnold Doolan


Estes são alguns sinais de perigo, por não estar em conformidade com a Vontade de Deus para o seu povo, se existirem em alguma igreja local:

Existe algum destes sinais na Igreja com que estás em comunhão ?

1 - Uma Igreja que dá ênfase extrema ao Espirito Santo acabando por não glorificar o Senhor Jesus ? (João 16:14).

2 - Uma Igreja com uma firme constituição mas que falha na obediência como o caso de ser conhecedor das doutrinas mas não praticante? (Ef. 5:14).

3 - Uma Igreja que ensina sobre a Bíblia mas não ensina a Bíblia? (Rom. 10:17 e 2 Tim. 4:2).
4 - Uma Igreja que faz as coisas por despeito? (Fíl. 1:15-18).

5 - Uma Igreja liderada predominantemente por uma só família (isto chama-se nepotismo)? (Tito 1:5-11).

6 - Uma Igreja onde a mulher exerce autoridade sobre o homem, aberta ou secretamente? (Gen. 3:16-Ef. 5:22-1 Tim. 2:12-15 e 3:1).

7 - Uma Igreja com um ancião, ou obreiro, que actua como um "papa protestante"? A verdadeira Igreja de Cristo está pronta a seguir o Mestre mais do que um pastor. (Salmo 118;8-Mat. 20:28).

8 - Uma Igreja onde o crescimento é feito através da diversão em vez da edificação? (Rom. 10:17-1 Pedro 5:2).

9 - Uma Igreja com um ou mais lideres que não aceitam ser "corrigidos"? (Prov. 9:7-9-25:12-29:1).

10 - Uma Igreja onde não existe um programa missionário? (Actos 1:8-1 Tess. 1:8)
11 - Uma Igreja desejosa de quantidade, mas cega no que respeita á qualidade? (Actos 2:47) (1 Cor. 3:6).

12 - Uma Igreja com a sua própria auto-definição de amor - e faltosa na disciplina aos membros quando é necessário? (Mat. 18:15-20) (Rom. 16:17-18).

13 - Uma Igreja que não se identifica como "separada do mundo"? (2 Cor. 6:14-18).

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

SACERDÓCIO DE TODOS OS CRENTES - Por William McDonald


Cada Igreja local devia, praticamente, testemunhar desta verdade recusando o reconhecimento de qualquer outro sacerdócio, e animando todos os crentes a exercerem os privilégios e responsabilidades deste cargo sagrado.

- No Velho Testamento lemos que a Lei de Moisés separou a tribo de Levi e a família de Aarão para serem os sacerdotes da Nação. Estes homens usavam vestes diferentes, tinham privilégios especiais e constituíam uma casta a parte, entre Deus e a congregação de Israel. Só eles podiam entrar no lugar santo e oferecer os sacrifícios prescritos pela Lei.

- No Cristianismo é tudo diferente. Todos os crentes são sacerdotes, segundo o ensino do Novo Testamento.

a) "Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo para oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo" (1 Pedro 2:5).
b) "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz" (1 Pedro 2:9).
c) "Àquele que nos ama, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai; a Ele glória e poder para todo o sempre. Amém" (Apoc. 1: 5,6).
Um grande servo de Deus, pugnando pela verdade de que o sacerdócio é privilégio de todos os crentes, escreveu: "Todos os crentes são, indistintamente, sacerdotes, e quem disser que ha sacerdotes além dos crentes nascidos de novo, seja anátema, porque uma afirmação destas não teria base alguma na Palavra de Deus; seria baseada exclusivamente em afirmações meramente humanas ou nas tradições dos homens."

- Um dos importantes deveres do sacerdote é oferecer sacrifícios. No Velho Testamento os sacrifícios consistiam em animais imolados. Nesta Dispensação da Graça, contudo, os sacrifícios dos crentes são:
a) O sacrifício do seu corpo (Rom. 12:1); não um sacrifício morto, mas "vivo, santo e agradável", oferecido exclusivamente a Deus.
b) O sacrifício de bens materiais. "Não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque, com tais sacrifícios, Deus se agrada". (Heb. 13:16).
c) O sacrifício de louvor. "Portanto, ofereçamos sempre por Ele, a Deus, sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu Nome". (Heb. 13:15).

Este sacrifício deve ser tanto individual como colectivo. Este último - o sacrifício de louvor - no qual os crentes gozam de liberdade para tomar parte na adoração pública, foi praticamente eliminado e substituído pelos monótonos serviços regulamentados e orientados dos nossos dias. Disto resulta uma multidão de sacerdotes mudos - um estado de coisas ignorado nas Escrituras.

- Os deveres dos sacerdotes incluem também oração, testemunho para glória de Deus, e o cuidado do Seu Povo. Portanto, os crentes deviam ter cuidado em exercer todas estas sagradas missões. O ensino das Escrituras sobre este assunto (Rom. 8:14; Gál. 5:18; João 16:13), revela que todos esses deveres devem ser postos em prática desde manhã até à noite, todos os dias da semana, e não só aos Domingos. Não se limitam as reuniões da Igreja, sejam reuniões de adoração, de estudo bíblico ou de oração, mas abrangem toda a vida do crente, tanto dentro como fora dos lugares das reuniões, sejam eles salões, capelas ou igrejas, no sentido pleno da palavra. Segundo o Novo Testamento, todo o povo de Deus é: "um reino sacerdotal e uma nação santa", (Êxodo 19:6; 1 Pedro 2:5-9).

- Apesar de todos os crentes serem sacerdotes, o facto é que cada crente precisa dum Sacerdote diante de Deus. Esta necessidade é-lhe suprida plenamente no Senhor Jesus Cristo. A Epístola aos Hebreus apresenta-no-Lo como o nosso grande Sumo-Sacerdote, que se compadece das nossas fraquezas, porque em tudo foi tentado como nós, mas sem pecado. (Heb. 4:15).

- Portanto, cada igreja local devia reconhecer o Senhor Jesus como seu Grande Sumo-Sacerdote e, em cada crente, um sacerdote santo e real. Será isto que encontramos na cristandade hoje em dia? Ao contrário, a igreja, na sua maioria, voltou ao sistema judaico de sacerdotes. Apesar dos crentes professos dizerem que crêem no sacerdócio de todos os crentes, muitas religiões estabeleceram um sacerdócio todo seu, baseado em parte no sistema mosaico. Assim vemos:
a) Um grupo de homens escolhidos para o Serviço Divino;
b) Uma hierarquia eclesiástica com títulos honoríficos que os distingue dos leigos;
c) Vestes especiais para indicar que eles pertencem a uma ordem diferente.

Além disso, muitas seitas e denominações vão buscar ao Judaísmo conceitos como estes:

a) A consagração de templos com os seus altares, adornos eclesiásticos, e outras coisas materiais para o seu culto;
b) Um ritualismo impressivo que apela para os sentidos do homem;
c) Um calendário religioso com os seus dias santos e festas.

Acerca desta estranha mistura de Judaísmo e Cristianismo, o Dr. C. I. Scofield escreve:

"Podemos afirmar seguramente que os judaizantes da Igreja. só por si, têm impedido o seu progresso, pervertido a sua missão e destruído a sua espiritualidade em maior escala do que todos os outros males juntos. Em vez de andar no caminho indicado da separação do mundo, e seguir o Senhor segundo a sua vocação celestial, a Igreja tem usado passagens das Escrituras, que só dizem respeito aos Judeus, para justificar a sua adaptação à presente civilização, a aquisição de fortunas fabulosas, a construção de igrejas (templos) magníficas, a divisão em clérigos e leigos dos que são iguais na fraternidade Cristã".

Deus ainda hoje chama o Seu povo a separar-se desta religião de símbolos e tipos para se unirem simplesmente no Nome do Senhor Jesus em quem encontramos toda a suficiência.

- Se todos os membros duma igreja actuarem segundo o ensino do Novo Testamento, em relação ao sacerdócio de todos os crentes, essa igreja será:

Uma igreja cheia do Espírito, onde os seus membros assistem regularmente ás reuniões de oração; uma igreja em que todos os membros são auxiliares práticos e colaboradores dos servos do Senhor na Sua Seara através do mundo; haverá actividade enérgica e perseverante na disseminação do Evangelho, por meio da distribuição de folhetos, testemunho pessoal e, sempre que é possível, trabalho ao ar livre.

Pelo amor de Cristo os membros de tal igreja serão constrangidos a viver num ambiente afável, no qual cada crente procura ajudar os outros em amor e num espírito de devotada consagração, estimulando-se uns aos outros ao amor e ás boas obras.

Em tais igrejas, as reuniões e serviços são dirigidos pelo Espírito Santo; e os dons do Espírito, distribuídos pelo próprio Senhor, serão desenvolvidos conforme a variedade da mesma, em comunhão fraternal e na dependência e liberdade de Cristo (1 Cor. 12:4-l1; 14:26). E quando a igreja se reúne em volta da mesa do Senhor para O louvar e adorar pelo Seu sacrifício no Gólgota, a adoração sacerdotal subirá até ao Santuário celestial, que é o mais alto privilégio do sacerdócio da Igreja.

AUTORIDADE NA IGREJA - Por William McDonald


CRISTO É A CABEÇA DO CORPO
Quantos crentes testificam hoje desta verdade?


- É evidente que os crentes à luz do ensino das Escrituras, não podem aceitar um guia humano como Cabeça da Igreja a da Igreja. A mais pública transgressão desta verdade é a proclamada cabeça de certa organização religiosa, que se chama a cabeça temporal do corpo de Cristo. Nos nossos dias, a maior parte dos crentes reconhece a loucura de tal pretensão, contudo, aquele mal parece ter penetrado todos os segmentos da cristandade.

- A Autoridade de Cristo é verdadeiramente reconhecida, quando O deixam dominar as actividades da Igreja, tanto nas resoluções como na prática. Aos olhos de muitos, isto pode parecer uma coisa vaga e impraticável. Como pode o Senhor, desde o Céu, guiar a sua Igreja na terra? A resposta é simples. Ele nunca deixa de revelar a Sua vontade àqueles que, paciente mente, esperam n'Ele. E certo que isto requer exercício espiritual da parte dos crentes Alguns, sem quererem esperar que se manifeste a vontade de Deus, julgam mais prático resolver as coisas segundo os seus próprios planos. Não esqueçamos, porém, que os princípios bíblicos só podem ser postos em prática no poder de Deus; os que não estão prontos a depender d'Ele e esperar pacientemente, em oração, nunca terão o privilégio de ver a Cabeça espiritual da Igreja guiar a Igreja local na terra.

- Devemos frisar aqui que uma coisa é exaltar a autoridade de Cristo com os nossos lábios e outra coisa reconhecer essa autoridade dum modo prático. Há alguns que dariam a vida, se necessário fosse, para defender aquela verdade, contudo, negam-na praticamente, ao procurarem dominar as igrejas. Para fazer isto, não é preciso ocupar nenhum lugar de destaque na Igreja. Diótrefes era um deles (III João 9,10) Ele amava a preeminência e, maliciosamente, falava contra crentes piedosos como João; não queria recebê-los e expulsava os que os recebiam. Isto equivalia a negar que Cristo é a Cabeça da Igreja.

- Mais duas palavras acerca da sede da Igreja. A palavra sede fala-nos do centro de operações e autoridade. A sede da Igreja encontra-se onde a Cabeça está, isto é, no céu. A Igreja local não pode aceitar, à luz do Novo Testamento, nenhuma organização dominante, como um sínodo, presbitério ou Concílio para exercer autoridade sobre uma igreja ou grupo de igrejas. Cada igreja e directamente responsável perante Cristo, Cabeça da Igreja, e não deve aceitar nem praticar seja o que for que negue aquele facto.

ORIGEM DA IGREJA - Por William McDonald


Muitos homens diferem entre si acerca de quando principiou a Igreja. Alguns crêem que a Assembleia ou Igreja é a continuação ou a renovação do Israel do Velho Testamento. Outros asseveram que a Igreja não existia no Velho Testamento, mas que principiou na nova Dispensação. Vejamos o que as Escrituras dizem a este respeito:

1º) Em Efésios 3 : 4-5, Paulo fala da Igreja como um "mistério" que noutros tempos não fora revelado aos homens, como agora tinha sido aos seus santos apóstolos e profetas pelo Espírito. E ainda no verso 9 demonstra que a Igreja é um "mistério" que desde o principio do mundo esteve oculto em Deus. (Ver também Col. 1:26; Rom. 16:25-26). A Igreja era pois um segredo de Deus durante tempos do Velho Testamento. e nunca foi revelado antes do aparecimento dos apóstolos e profetas do Testamento.

2º) Em Mateus 16: 18, o Senhor Jesus disse: "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja".Por outras palavras, a Igreja ainda estava para se revelar quando o Senhor proferiu estas palavras.

3º) E ainda em Efésios 4 : 8-11 Paulo frisa que é Cristo ressuscitado e assunto ao Céu, que dá dons a Igreja. Isto prova que, para admitir que a Igreja existiu antes da Sua ressurreição, temos de admitir que lhe faltavam dons para sua edificação. Nós cremos que é possível, não somente provar que a Igreja principiou na nova Dispensação, mas também que ela principiou no Dia de Pentecostes.

- O corpo de Cristo (Sua Igreja) foi formado pelo baptismo do Espírito-Santo (1 Cor. 12:13). Será possível sabermos quando se realizou o baptismo do Espírito-Santo?

- No livro dos Actos 1: 5, O Senhor Jesus, antes da Sua ascensão, prometeu aos apóstolos: "Sereis baptizados com o Espírito-Santo, não muito depois destes dias".

- No Dia de Pentecostes "foram todos cheios do Espírito-Santo, e começaram a falar noutras línguas" (Actos 2: 4).

- No cap. 5:11 verificamos que a Igreja já existia, porque lemos: "e houve grande temor em toda a Igreja.São factos que, bem considerados, nos levam a crer que o nascimento da Igreja foi no Dia de Pentecostes.

O FUNDAMENTO DA IGREJA - Por André J. Lebrun



Lembram-se daquela parábola em Mateus 13 que relata a história de um negociante que procura boas pérolas? Após ter achado uma pérola de grande valor, vendeu tudo o que possuía, e comprou-a (Mateus 13:45-46). Não vemos aqui uma impressionante imagem do Senhor Jesus (o negociante) que Se entrega Ele mesmo (vende tudo o que tem) e compra, para a Sua própria alegria, a Igreja (a perda)? Gostaria muito de vos falar um pouco desta Igreja, sobretudo do seu fundamento. Encorajo-vos, pois, a lerdes em primeiro lugar os versos seguintes: Mateus 16:13-18 e 1Coríntios 3: 11.

Que significa esta palavra Igreja, tão comum na nossa sociedade dita cristã? Muitos pensam que se trata apenas de edifícios de uma arquitectura particular, cujo campanário os apontam para o céu. Encontramos essas "igrejas" nos diversos bairros das cidades ou no centro de quase todas as aldeias, e no seu interior desenrolam-se durante a semana alguns serviços religiosos. Mas o que é que diz a Palavra de Deus acerca da palavra "Igreja"?

A IGREJA OU ASSEMBLEIA - O QUE ELA É O QUE ELA NÃO É

Comecemos por explicar que esta palavra "Igreja" é traduzida do Grego "ekklesia", e significa literalmente: "Os que são chamados a sair fora de". Uma melhor tradução desta palavra seria Assembleia. No Novo Testamento encontramos pela primeira vez esta palavra em Mateus 16. O senhor Jesus disse: "Eu edificarei a minha igreja...". E evidente, pela leitura do Novo Testamento, que a Igreja (ou Assembleia), segundo Deus, não é um edifício físico, nem uma denominação ou um grupo religioso qualquer, mas sim o conjunto que todos aqueles e aquelas que têm posto a sua confiança no Senhor Jesus, sentiram o novo nascimento e foram selados do Espírito de Deus.

Note-se bem a passagem de Mateus 16 e atente-se na confissão de Pedro a respeito do Senhor Jesus: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (verso 16). Pedro não fazia esta confissão segundo o seu proprio conhecimento, mas sim segundo uma revelação distinta recebida da parte do Pai a respeito do Filho de Deus. Quanto a este título, O Filho do Deus Vivo, é único no Novo Testamento. O Senhor é chamado, noutros lugares, o Filho do homem, o Filho de David, o Filho de Deus, o Filho do Pai, etc.; mas somente em Mateus 16 encontramos este título de Filho do Deus Vivo. Porquê ? Nós sugerimos que este título particular está em relação com a revelação do Senhor acerca da Sua Igreja. "... tu és Pedro; e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja..." (verso 18). Não temos aqui uma estrutura material e tangível; temos, sim, uma estrutura espiritual. E um organismo vivo, animado da mesma vida que tem o Filho de Deus. Aliás, em 1Timóteo 3:15, a Palavra de Deus utiliza a expressão: A Igreja do Deus vivo.

CRISTO - ÚNICO FUNDAMENTO

De que pedra se trata em Mateus 16:18: "... sobre esta pedra edificarei a minha igreja..."? Alguns há que têm sugerido que a pedra, ou fundamento desta estrutura espiritual, era o apóstolo Pedro, aquele que tinha uma autoridade especial e que possuía as chaves do reino dos céus.
Mas é singularmente espantoso que uma coisa de tão magna amplitude, construída pelo próprio Cristo, assente sobre um homem mortal e falível. Haveria certamente, grande incerteza se a Igreja do Deus vivo assentasse sobre um homem, a quem Cristo havia de dizer pouco depois: "Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens." (verso 23).

Não. A pedra não é outro senão o próprio Filho de Deus, precedentemente confessado pelo apóstolo. Em sua primeira epístola, o apóstolo Pedro refere-se justamente a esta circunstância e recorda aos crentes que eles se aproximaram do Senhor, "pedra viva" (capítulo 2:4 5). É preciso ler também muito atentamente a 1ª epístola aos Coríntios 3:11: "Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo."

Assim, pois, Jesus é o fundamento, deste edifício, e os verdadeiros crentes são pedras vivas, edificadas para formarem um casa espiritual (ler 1ª de Pedro 2:5). Que encorajamento para os nossos corações o sabermos que, apesar de todos os esforços e intentos do Inimigo, "as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mateus l6:18) ! A Igreja do Deus vivo assenta sobre uma Pessoa divina e tira o seu carácter dessa mesma Pessoa; é, pois, tão sólida corno o próprio fundamento.

É verdade que no que concerne ao testemunho da Igreja face a este mundo temos de baixar a cabeça em sinal de humilhação Mas quanto ao seu lugar perante Deus e a sua constituição espiritual, a Igreja é o fruto do trabalho do eterno Filho de Deus e é sustida por Ele mesmo.

É completa e perfeita, pois que provém de Deus. Nenhuma táctica e nenhum esforço dos poderes da maldade prevalecerão sobre esta Igreja.

Finamente, mencionemos que a Igreja não é uma continuação do que encontramos no Antigo Testamento. No momento em que o Senhor falava a Pedro, dizia: Eu edificarei a minha igreja."
Esta declaração está no futuro. Assim, a Igreja começou no dia de Pentecostes, após a morte, a ressurreição e a glorificação do Senhor Jesus. Aquando desta ocasião especial, o Espírito de Deus, vindo habitar sobre a Terra, forma a Igreja num corpo "espiritual" e une este corpo à Cabeça glorificada na presença de Deus. As três principais características da presente dispensação são as seguintes: Há um Homem na glória de Deus (o Homem Cristo Jesus), uma Pessoa divina sobre a Terra (o Espírito de Deus), e uma nova companhia de remidos, unidos ao seu Chefe. A igreja tem uma origem e um destino celestes; além disso, o seu Chefe é celestial. Nos desígnios de Deus, esta posição celeste da Igreja está em contraste com o lugar atribuído a Israel, o povo terrestre de Deus. E não esqueçamos nunca a Pessoa maravilhosa sobre a qual assenta a Igreja de Deus -o Cristo, o Filho do Deus vivo. Este é eterno, imutável e divino. O Senhor Jesus é certamente digno de todo o nosso respeito e da nossa inteira adoração. "Assim que, já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual, todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós, juntamente, sois edificados para morada de Deus em Espírito." (Efésios 2:19-22).

A RAZÃO DA DESIGNAÇÃO DE "ASSEMBLÉIA! - Por H.G. Mackay


O que é uma Assembleia ? É o mesmo que uma igreja ? Sim. Então, por que não utilizar o termo familiar igreja para que o significado possa ser evidente a todos ? Mas, seria mesmo evidente ? Eis a questão. Para a grande maioria das pessoas falantes da língua portuguesa, a palavra igreja designa ou uma denominação ou um edifício dedicado aos propósitos religiosos. E o problema é que a palavra traduzida igreja no Novo Testamento em português não significa nada disso.

Denominações e estruturas religiosas eram completamente desconhecidas no primeiro século depois de Cristo quando o Novo Testamento foi escrito.

A palavra grega empregada mais de cem vezes no Novo Testamento pela inspiração do Espírito Santo e traduzida como igreja é ekklesia. O toque familiar proveniente desta palavra é produzido pelo motivo de que temos a forma aportuguesada em nossa palavra eclesiástico, que significa "relativo à igreja". Assim como muitas outras, ekklesia é uma palavra composta. A raíz da mesma é a palavra grega klesis, que significa "um chamado", e driva de um verbo muito comum "chamar". A preposição é ek, significando "fora" ou "fora de ". Deste modo, temos a palavra ekklesia (ou ecclesia) - "um chamado para fora". A referência em Actos 7:38 a Israel como uma ekklesia ilustra bem o sentido desta palavra. Israel foi chamado para fora do Egipto por Deus, constituindo assim o Seu povo chamado para fora (mas, num contexto completamente diferente da Igreja de Cristo no Novo Testamento).

Todas as demais ocorrências da palavra ekklesia no Novo Testamento (com apenas uma excepção) referem-se à Igreja de Cristo, quem em seu aspecto local, quer universal. A única excepção (Actos 19:21-40) fornece uma outra ilustração do sentido básico da palavra que é um chamado para fora. Naquela porção da Escritura, é um ajuntamento violento, e não religioso, o registado em Éfeso. A palavra grega ekklesia aparece no versículo 39 e 40 e é traduzida como assembleia. O dicionário "Aurélio" fornece a seguinte definição básica para esta palavra: "reunião de numerosas pessoas para determinado fim".

A assembleia é, assim, a reunião dos crentes em Cristo.

SETE VERDADES SOBRE A IGREJA - Por William McDonald


No Novo Testamento, no livro dos Actos e nas Epístolas, há grandes verdades entrelaçadas acerca da Igreja de Deus. Por agora analisaremos rapidamente, apenas sete das mais importantes. Noutro capítulo serão mais amplamente desenvolvidas.

1º) Há um só corpo (Efésios 4: 4)Segundo o ensino das Escrituras, só há uma Igreja. Ainda que as circunstâncias pareçam negar esta verdade, o facto permanece que, segundo o propósito de Deus, há só um corpo de crentes na terra. Apesar desta igreja não ser completamente visível ao homem, ela constitui um corpo formado pelo Espírito-Santo.

2º) Cristo é a Cabeça do Corpo místico (Efésios 5:23; Col. 1:18)Pela analogia do corpo humano, Paulo revela-nos que, do Céu, Cristo como Cabeça domina o Corpo na terra. A cabeça, sede do intelecto, fala-nos de autoridade e domínio. A cabeça e o corpo desfrutam da mesma vida, interesses e perspectivas. Assim como a cabeça não é completa sem o corpo, do mesmo modo, num sentido real, Cristo não é completo sem a Igreja. Por isso lemos em Efés. 1: 23 que a Igreja, o Seu corpo, é a plenitude d'Aquele que cumpre tudo em todos. Isto deve levar o crente a uma adoração profunda e reverente.

3º) Todos os crentes são membros do Corpo de Cristo (Actos 2: 47)No momento em que uma pessoa é salva, ingressa na Igreja espiritual, como membro do Corpo de Cristo. Esta união transcende todos os limites da raça, cor, nacionalidade, temperamento, cultura, condição social, língua ou denominação. No trecho clássico sobre os membros do Corpo de Cristo, em 1 Cor. 12:12-26, Paulo salienta os seguintes pontos:
- Há muitos membros no corpo (versos 12-14);
- Cada membro tem determinada função no corpo (versos 1 5--1 7);
- Mas nem todos os membros têm a mesma função (v. 19);
- O bem-estar do Corpo depende da mútua cooperação de todos os membros (versos 21:23);
- Porque todos os membros precisam uns dos outros, não há razão para descontentamento ou inveja (versos 15-17), nem para orgulho ou independência (vers. 21);
- Porque todos são membros do Corpo, deve haver entre todos cuidado mútuo, simpatia e alegria (versos 23-26).

4º) O Espírito Santo é o Ministro ou Vigário de Cristo na Igreja (João 14 :16,26).Depois da Sua ascensão ao Céu. o Senhor Jesus enviou o Espírito-Santo para ser o Seu Representante na terra. As actividades do Espírito Santo na Igreja revelam-se, em parte, da seguinte maneira;
- Guia os crentes na adoração (Efésios 2:18);
- nspira as suas orações (Rom. 8:26,27);
- Torna poderosa a sua pregação (1 Tess. 1: 5);
- Guia-os nas suas actividades, tanto positiva como negativamente (Actos 13 :2; 16:6,7);
- Levanta anciãos nas Igrejas (Actos 20 : 28);
- Dá dons para o seu crescimento e utilidade (Efésios 4:11);
- Guia os crentes em toda a verdade (João 16:13).

5ª) A Igreja de Deus é Santa (1 Cor. 3:17).Dentre as nações Deus está chamando um povo para o Seu Nome. Ele separa-os para Si, para que, neste mundo pecaminoso, as suas vidas se caracterizem por uma santidade prática. Só assim é que a Igreja pode, com fidelidade, representar um Deus santo num mundo corrupto.

6ª) Os dons são dados para edificação da Igreja (Efés. 4:11,12).A vontade de Deus é que a Igreja cresça numérica e espiritualmente. E com este objectivo que Cristo ressuscitado dá dons à Igreja. Estes dons são homens (
1) a quem é dada aptidão especial para edificar a Igreja. Segundo a lista que encontramos em Efésios 4:11 os dons são:
- Apóstolos;
- Profetas;
- Evangelistas; Pastores;
- Doutores ou Ensinadores.

Os Apóstolos e Profetas, de início, estavam principalmente empenhados na construção da Igreja (Efésios 2:20). Uma vez lançado o fundamento, cessou a necessidade de apóstolos e profetas neo-testamentários (2) no sentido primitivo das palavras.Contudo, ainda há evangelistas, pastores e doutores ou ensinadores. Os evangelistas são enviados aos perdidos no mundo para lhes levar o Evangelho, conduzir os pecadores a Cristo, e dirigi-los à comunhão da Igreja local.Os pastores cuidam do rebanho, alimentando as ovelhas, e encorajando-as para que se guardem do mal. Os doutores ou ensinadores revelam a palavra de Deus duma maneira compreensível e apresentam as doutrinas bíblicas duma maneira sensata.À medida que estes dons são usados, a Igreja cresce e os santos são edificados na sua santíssima fé. Os dons são a provisão de Deus para a expansão da Igreja.

7º) Todos os crentes são sacerdotes de Deus (1 Pedro 2:5,9).A verdade final que apresentamos em relação à Igreja é o sacerdócio de todos os crentes. No Velho Testamento, só eram elegíveis para o sacerdócio determinados homens da tribo de Levi (da família de Aarão). (Ver Exodo 28:1).Nos nossos dias não se requer uma casta especial de homens, separada dos outros, nem o uso de vestes distintivas ou privilégios especiais. Todos os filhos de Deus, nascidos de novo, seus sacerdotes, com todos os privilégios e responsabilidades que o nome implica.
___________________________________________________________________________
(1)
Temos outra lista de dons espirituais em 1 Cor. 12:8-10; A palavra da sabedoria, a palavra da ciência, fé, dons de curar, operação de maravilhas, profecia, dom de discernir os espíritos, variedade de línguas, e interpretação de línguas. Em Efésios 4, os dons são homens cujas vidas evidentemente são consagradas ao evangelismo, ensino e obra pastoral. Em 1Cor. 12 os dons são talentos ou aptidões que não se limitam necessariamente a certos indivíduos, mas que o Espírito Santo pode dar a qualquer membro do Corpo de Cristo quando e como Ele quiser. Por exemplo, qualquer crente pode, guiado pelo Espírito, proferir uma palavra de sabedoria ou de ciência, sem necessariamente ser um ensinador. Outro pode levar uma alma a Cristo, sem que seja evangelista. Em 1Cor. 12:28 Paulo ainda fala de apóstolos, profetas, doutores e ensinadores, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. A questão agora é esta: temos nós ainda dons de natureza milagrosa ? Em Heb.2 :4 lemos que Deus usou sinais e maravilhas para autenticar a pregação primordial do Evangelho. Isto verificou-se nos tempos em que a Palavra de Deus ainda não estava totalmente reduzida a escrito. Com o complemento da Bíblia, muitos crêem que a necessidade de milagres deixou de existir. Contudo, a Bíblia não esclarece o assunto decisivamente. Embora creiamos que estes dons não existem hoje, geralmente falando, não quer dizer que o Espírito Santo não posso usá-los, especialmente onde as Escrituras são raras. Mas, neste caso, os que professam ter estes dons devem exercê-los de acordo com as instruções da Palavra de Deus (Veja-se 1Cor. 14)

(2) No sentido secundário da palavra, não há dúvida de que ainda há apóstolos - homens enviados pelo Senhor. Neste sentido também ainda temos profetas, isto é, homens que, sob a direcção de Deus pregam contra o pecado e desregramentos. Mas repudiamos completamente a ideia de que haja homens, hoje em dia, que tenham a mesma autoridade que os primitivos apóstolos tiveram, ou que possam receber a mesma inspiração directa, como os profetas do Novo Testamento.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

PROVAS INCONTESTÁVEIS DA VERACIDADE DA BÍBLIA - Norbert Lieth


O maior, melhor e mais confiável documento de todos os tempos é a Bíblia. Suas afirmações são continuamente confirmadas, como mostra o artigo a seguir.Novas escavações, achados arqueológicos, escritos antigos, descobertas surpreendentes e avanços no conhecimento científico confirmam o que a Bíblia diz. Um recente documentário da BBC comprovou que o êxodo dos israelitas do Egito foi real.Os registros bíblicos poderiam estar certosO relato bíblico da saída do povo de Israel do Egito pode ser comprovado cientificamente. Segundo um documentário da televisão britânica BBC, os resultados de pesquisas científicas e os achados e estudos de egiptólogos e arqueólogos desmentem a afirmação de que o povo de Israel jamais esteve no Egito. Contrariamente às teses de alguns teólogos, que afirmam que o livro de Êxodo só foi escrito entre o sétimo e o terceiro séculos antes de Cristo, os pesquisadores consideram prefeitamente possível que o próprio Moisés tenha relatado os fatos descritos em Êxodo – o trabalho escravo do povo hebreu no Egito, a divisão do Mar Vermelho e a peregrinação do povo pelo deserto do Sinai. Eles encontraram indícios de que hebreus radicados no Egito conheciam a escrita semita já no século 13 antes de Cristo. Moisés, que havia recebido uma educação muito abrangente na corte de Faraó, teria sido seu sábio de maior destaque. E isso teria dado a ele as condições para escrever o relato bíblico sobre a saída do Egito, conforme afirmou também um documentário do canal cultural franco-alemão ARTE.Pragas bíblicas?Segundo o documentário, algumas inscrições encontradas em palácios reais egípcios e em uma mina, bem como a descrição detalhada da construção da cidade de Ramsés, edificada por volta de 1220 a.C. no delta do Nilo, comprovariam que os hebreus realmente viveram no Egito no século 13 antes de Cristo. A cidade de Ramsés só existiu por dois séculos e depois caiu no esquecimento, portanto, o relato só poderia vir de uma testemunha ocular. Também as dez pragas mencionadas na Bíblia, que forçaram Faraó a libertar o povo de Israel da escravidão, não poderiam ser, conforme os pesquisadores, uma invenção de algum escritor que viveu em Jerusalém cinco séculos depois...Moisés recebeu a lei no monte KarkomDo mesmo modo, o mistério do monte Horebe, onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos, parece que está começando a ser desvendado pela ciência. No monte Sinai, onde monges do cristianismo primitivo imaginavam ter ocorrido a revelação de Deus, os arqueólogos nunca encontraram qualquer vestígio da presença de 600.000 homens. Em contrapartida, porém, ao pé do monte Karkom, localizado na região fronteiriça egípcio-israelense, foram encontrados os restos de um grande acampamento, as ruínas de um altar e de doze colunas de pedra. Essa concordância com a descrição no livro de Êxodo (Êx 24.4) provaria, segundo citação dos cientistas na BBC, que o povo de Israel realmente esteve por um certo tempo no deserto". (Idea Spektrum, 8/2000)Não há dúvida de que os relatos bíblicos são corretos. Lemos no Salmo 119.160: "As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre." Nosso Senhor Jesus confirmou a veracidade de toda a Palavra de Deus ao orar: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (Jo 17.17). Nessa ocasião já existiam os escritos do Antigo Testamento, portanto, Jesus confirmou todo o Antigo Testamento, a partir do livro de Gênesis, como sendo a verdade divina.No Egito, Israel tornou-se um grande povo, exatamente como Deus havia prometido a Abraão séculos antes (Gn 12.1-3). Quando Israel ainda nem existia como nação, Deus já disse a Abraão: "Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas" (Gn 15.13-14). Foi o que aconteceu com exatidão sob a liderança de Moisés alguns séculos mais tarde. Mas por que Israel foi conduzido para fora do Egito? Para tomar posse de uma terra que Deus lhe havia prometido, pois nessa terra deveria nascer como judeu o Salvador Jesus Cristo.Hoje muitas pessoas não querem crer em Jesus e na Sua obra de salvação, por isso colocam em dúvida a veracidade das histórias bíblicas, pois gostariam de interpretá-las de outra maneira. Mas ninguém o conseguiu até hoje, pois continuamente são encontradas novas provas que confirmam a exatidão dos relatos bíblicos. Como poderia ser diferente, se o texto original da Bíblia foi inspirado pelo próprio Deus?Muitas falsas doutrinas, ideologias e teorias têm sua origem em uma postura contrária a Deus. Karl Marx e Friedrich Engels, por exemplo, odiavam tudo que dizia respeito a Deus. Charles Darwin também rejeitava a Deus. Ele desenvolveu a teoria da evolução porque tinha se afastado conscientemente de Deus. Evidentemente, quando se faz isso, precisa-se buscar uma nova explicação para tudo o que existe visivelmente. Mas o pensamento lógico já nos diz que aquilo que nossos olhos vêem não pode ter surgido por si mesmo. Peter Moosleitner (que por muitos anos foi redator-chefe da popular revista científica alemã PM) acertou em cheio ao afirmar: "Tomemos a explosão inicial, talvez há 16 bilhões de anos – ali reinavam condições que conseguiam reunir, num espaço do tamanho da ponta de uma agulha, tudo o que forma o Universo. Então, esse ponto se expandiu. Segundo essa concepção, temos duas alternativas: (1) Paramos de perguntar pelas origens do Universo. (2) Se existe algo capaz de colocar o Universo inteiro na ponta de uma agulha, como poderei chamá-lo, a não ser de Deus?"Mas, na verdade Deus é infinitamente maior! Ele criou tudo a partir do nada, através de Sua Palavra, e isso não aconteceu há bilhões de anos, mas há cerca de 6000 anos atrás, em apenas seis dias. Hebreus 11.3 diz: "Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem." A Palavra de Deus não é apenas absoluta verdade e absolutamente poderosa, ela também salva por toda a eternidade, concede vida eterna, livra do juízo, e vence até a própria morte. Jesus Cristo diz: "Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida" (Jo 5.24). (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br/) Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, julho de 2001.

sábado, 1 de dezembro de 2007

HÁ ALGO ERRADO COM O POVO CHAMADO EVANGÉLICO


O que você pensaria de uma nação cujos irmãos lutam entre si, buscando cada um a primazia de sua família?


O que você pensaria de um povo que professa a fé no mesmo Deus e isso ao invés de unir os separa?

O que você pensaria de um povo que se trata com o amável título de "irmãos" mas vivem desconfiados uns dos outros e muitas vezes agem como verdadeiros inimigos?


O que você pensaria de um povo que crê na ação do Deus Espírito que veio para unir (João 17.21) mas que justamente "Ele", é o grande ponto de polêmica no meio desse povo?


Obviamente estamos falando de um povo que no Brasil afirma ter mais de 20 milhões de pessoas, está presente nas rádios, TVs, e hoje já se dissemina por todas as classes sociais de A a D.


Era de se esperar que esse povo tivesse uma identidade mais ou menos clara e uniforme, que houvesse concordância em pontos importantes, que se tratassem com amor e respeito, que falassem a mesma língua..... Mas o que vemos é algo completamente diferente. Essa fina estirpe que recebeu do Senhor o título de "nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus", apresenta características tão díspares, sentimentos tão heterogêneos, disposições tão contrárias, que fico pensando se Deus não desceu do céu, e a exemplo da Torre de Babel, não veio confundir-nos até que tomássemos consciência da loucura que tomou conta da Igreja hoje.


Faço esse triste diagnóstico a partir das constatações que relaciono abaixo:


Há algo profundamente errado quando convivemos com uma classe de crentes "superiores" por terem tido uma experiência especial com Deus e uma classe de crentes "inferiores" porque não alcançaram ou não buscam esse mesmo tipo de experiência.


Há algo profundamente errado quando uns cultuam a Deus no sétimo dia da semana e lutam ardorosamente contra os que cultuam a Deus no dia seguinte.


Há algo profundamente errado quando uns batizam os seus fiéis em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas não aceitam os fiéis batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo em outra igreja, porque a outra igreja o fez de modo diferente.


Há algo profundamente errado quando participantes do mesmo Corpo tentam de todas as formas arrancar fiéis de outros grupos que também participam desse Corpo.


Há algo profundamente errado quando o germe da divisão produz a cada dia mais igrejas que declaram ser as únicas e verdadeiras igrejas (a esse propósito há aqui num bairro nobre de S.Paulo uma igreja com bonita fachada escrito abaixo de seu nome: "Fundada em 33 d.C. na cidade de Jerusalém")


Há algo profundamente errado quando pastores, bispos e apóstolos afirmam ter recebido novas revelações de Deus, revelações essas que não foram feitas nem a Paulo, nem a Pedro, nem a João, mas foram reveladas a esse graaaande seeerrrrvo do Senhor, líder de tal igreja.


Há algo profundamente errado quando alguns crentes são tomados de um orgulho bobo de ser separado "de" e ostentam essa separação como prova de santidade, enquanto o Evangelho de Cristo nos separa "para".


Há algo profundamente errado quando a Igreja passa a ser um fim em si mesma e o bom crente é aquele que freqüenta seus trabalhos 7 dias por semana, independentemente da ética que o domina, da sua qualidade de vida familiar e da responsabilidade social que ele tem.


Fico me perguntando como viver a Unidade desejada por Cristo se a Ceia nos separa, se o Batismo nos separa, se aquele que veio trazer a Unidade, o Espírito Santo, nos separa?


Que Deus tenha misericórdia desse povo que poderia ser uma grande nação, um povo realmente escolhido por Deus para testemunhar das coisas do Reino.


Daniel Rocha, pastor da Igreja Metodista em Itaberaba, São Paulo e Psicólogo


e-mail:

A UNIDADE DA IGREJA NA CIDADE

Introdução

Talvez a pessoa que mais influenciou nos últimos 50 anos, sobre o tema da UNIDADE DA IGREJA foi Watchman Nee, com seu livro A Igreja Normal. No fim da década de 30, se editou o livro em Chinês. Logo se traduziu para o Inglês e em meados da década de 60, tivemos o livro em nossas mãos para os leitores de língua espanhola.

No início do livro já Nee adverte o leitor que: Não se deve fechar a porta com um golpe de "impossível", "ideal porém impraticável". Tal qual é o que tem sucedido com muitos que o leram, hoje está se passando o mesmo com outros que escutam falar sobre tema. Porém o Espírito Santo inquietou a alguns para que como profetas levantem sua vós e falem sobre a UNIDADE DA IGREJA. Alguns o fazem com veemência e fé, e outros são como uma vós no deserto que apenas se ouve. O certo é que hoje não são poucos os que crêem que esta é a palavra de Deus, e que o Senhor vai unir o seu povo. Cada vez são mais os que crêem que João 17 e Efésios 4 terá cumprimento antes da vinda do Senhor. Hoje, as barreiras denominacionais não são tão rígidas como anos atrás. Os pastores de uma mesma localidade se reúnem, se buscam, sentem necessidade uns dos outros, se apreciam, e os irmãos querem estar juntos. Só o Espírito Santo pode fazer isso.

A forte ênfase do livro de Nee (que é bíblico) é que em cada localidade não pode haver mais do que uma só igreja. O pensar em duas ou mais igrejas em uma localidade é totalmente antibíblico. O problema que temos nós seres humanos é que, quando nos acostumamos com o anormal e damos por definitivo , então o normal nos parece anormal.

A palavra Igreja e seu uso no Novo Testamento

A palavra igreja vem do vocábulo grego "Ekklesia", que aparece 114 vezes no N. Testamento.
* No singular aparece 17 vezes referindo-se a IGREJA UNIVERSAL. Mt 16:18; Ef 1:22; Cl 1:18; etc.
* No singular aparece 49 vezes referindo-se a IGREJA LOCAL. Mt 18:17; I Cor 1:2; etc.
* No plural aparece 38 vezes e se refere as IGREJAS LOCAIS de diversas localidades. Atos 9:31; II Cor 11:8; Apoc 1:4 e 11; etc.
* Aparece 10 vezes em várias formas. Rom 16:5; Heb 12:23; Atos 19:32,39,40.

A Igreja na Cidade

Nos tempos dos primeiros apóstolos e pais da igreja, a totalidade dos crentes que viviam em uma cidade formavam a ÚNICA igreja daquele lugar. Não havia naqueles dias duas ou mais igrejas coexistindo simultaneamente em uma mesma localidade. Não há nenhum relato bíblico que se refere a pluralidade de igrejas em uma mesma localidade.

No capítulo 11 do livro de Atos se relata o nascimento da igreja em Antioquía. É a primeira comunidade mista onde não existe a parede de divisão, entre Judeus e gentios. Esta mistura , permite ter uma visão mais ampla da extensão do Reino de Deus. Com uma clara visão apostólica, a igreja de Antioquía chega a ser a mais missionária daqueles tempos. Barnabé e Paulo saem de Antioquía fundando as igrejas por todo mundo conhecido. Ao cabo de alguns anos , encontramos a igreja do Senhor em cidades ou localidades como Iconio, Listra, Filipos, Tessalonica, Eféso, Corinto, etc. Em cada localidade fundaram uma só igreja. A nenhum dos apóstolos fundadores havia ocorrido levantar "outra" igreja se já existia uma em cada localidade.. Quando Apólo chegava a uma cidade, não se lhe ocorria levantar "outra igreja" de acordo com seu estilo. Se assim o fizesse estaria realizando uma divisão no corpo de Cristo.

A igreja mencionada nas Sagradas Escrituras está fundada sobre o princípio de que em cada cidade deve haver uma só igreja.

Para eles era improcedente, por estar reunido com a mesma natureza da igreja, pretender edificar "outra igreja" na mesma localidade quando já havia uma. Tal pretensão supõe atentar contra o corpo de Cristo. Este princípio foi tão claro para os apóstolos que as igrejas se denominava pelo nome da localidade. A única maneira de identificar uma igreja determinada era pelo nome da cidade em que estava:

> "a igreja que estava em Jerusalém" ( At 11: 22)
> "a igreja que estava em Antioquía,"( At 13:1)
> "a igreja de Deus que está em Corinto". ( I Co 1:2 e II Co 1:1)
> "a igreja em Éfeso.... a igreja em Esmirna.... a igreja em Pérgamo.... a igreja em Tiatíra..... etc. ( Ap 2:1, 8, 12, 18...).

Isto deixa muito evidente duas realidades que estamos sustentando:

O nome da cidade dava a cada comunidade a sua identidade. Em cada cidade havia uma única igreja , pois nunca se disse no Novo Testamento: ".... as igrejas que estão em uma determinada cidade." Em outras palavras, a totalidade dos filhos de Deus que viviam em uma cidade formavam a única igreja dessa cidade.

Interpretações errôneas sobre a unidade da igreja

Quando se fala sobre a unidade da igreja, muitos interpretam erroneamente o que isto significa, não porque haja má intenção senão porque nosso contexto de igreja nos desorienta. A situação de anormalidade na qual vivemos não nos permite compreender com clareza como pode funcionar uma igreja em cada localidade. É necessário atuar com paciência e maior dependência do Espírito Santo para que Ele clareie nossos pensamentos e ilumine o nosso espírito.

* Um erro comum é pensar que a igreja da localidade deve funcionar em um só edifício. Estão tão ligado ao conceito igreja-edifício que parece que não se pode pensar em uma só igreja na localidade sem imaginar a todos em um só edifício. Temos que repetir até cansar que o edifício não é a igreja; sem parar, se segue chamando ao edifício com o termo "igreja". Isto faz com que se continue se associando igreja com edifício.

* Outro erro é pensar que todos temos que ser membros da mesma instituição. Todavia é comum pensar que se somos da mesma denominação somos um. Esta herança ficou na igreja pelo ensinamento tão marcado de que cada organização tinha que levantar uma congregação em cada povo ou cidade, ainda que já tivesse outros grupos cristãos estabelecidos, considerando normal as divisões, e que só tinha que manter a unidade denominacional. Graças a Deus, muitos pastores, sem necessidade de romper seus vínculos denominacionais, estão relacionando-se cada vez mais com outros pastores da localidade; não obstante, há outros líderes que Deus está levando há uma relação mais estreita com os pastores de sua cidade, quebrando as barreiras mais tradicionais.

Um erro todavia mais sutil é pensar que a unidade da igreja em uma cidade consiste em reunir a todos os membros da igreja em uma reunião dominical ou semanal. Por supor que fazer reuniões conjuntas periodicamente que é muito bom; porém seria um erro pensar que a unidade da igreja é fazer reuniões com todo o povo. Bem no começo da renovação nos libertamos da associação igreja-edíficio; porém muitos não conseguem libertar-se da associação igreja-reunião. A reunião conjunta é uma expressão da igreja, porém não é a única nem fundamental. Por muitos anos, a igreja por causa da perseguição não podia ter uma só reunião para expressar sua unidade; não obstante, funcionava como uma só igreja.

Não confundamos a unidade da igreja com estar todos debaixo de um mesmo teto, nem com uma só instituição legal, nem tampouco com a reunião . Nosso contexto de igreja é o que nos condiciona a pensar que esta conduta coletiva é a mais importante expressão da unidade da igreja.

A Igreja: Um só Corpo

A igreja deve funcionar em cada localidade como UM SÓ CORPO. Ao pensar na igreja como UM SÓ CORPO nos liberamos de limitar a unidade da igreja a edifícios, reuniões ou instituições. E abrimos nossa mente a multiforme sabedoria de Deus para entender o funcionamento da igreja da cidade. Quando pensamos em um corpo, pensamos em algo dinâmico, não estático; flexível , não rígido; adaptável, dócil. A figura do corpo é muito eloqüente e funcional; porque uma vez que em um corpo, estão todos os seus membros sujeitos uns aos outros formando uma unidade orgânica. Paulo declara em Efésios 4: 16 "do qual o corpo inteiro bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, ..." Quando pensamos na igreja como corpo, fica mais claro que há coisas que são circunstanciais . Pode celebrar-se na localidade uma reunião, ou dez reuniões, ou cinqüenta reuniões em lugares diferentes. Podem ter um edifício, ou muitos edifícios, ou nenhum. Todas estas coisas são circunstanciais. O ser uma só igreja na cidade não depende destas coisas que estamos considerando. Porém é fundamental que a igreja em cada cidade chegue a "SER" UM SÓ CORPO, de um modo real, funcional e visível.

* I Co 12: 20 Agora, porém, há muitos membros, mas um só corpo.
* I Co 12: 27 Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros.
* Ef 1: 22,23 e sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e para ser cabeça sobre todas as coisas o deu à igreja, que é o seu corpo, o complemento daquele que cumpre tudo em todas as coisas.
* Cl 1: 18 também ele é a cabeça do corpo, da igreja; .....

Os Apóstolos: (Anciãos) Fator de Unidade

Jesus Cristo é o cabeça da igreja. Ele é quem governa e tem toda autoridade. Ele é quem cobre, santifica e sustenta. Portanto a autoridade da igreja é uma autoridade delegada e está diretamente relacionada com a submissão que se manifesta ao cabeça; porém, fundamentalmente, a submissão aos Apóstolos (anciãos = mais experientes), já que estes são os guias e canais para abençoar o povo.

Quando os reis de Israel faziam a vontade de Deus, e o povo seguia essa linha de conduta, e honravam o Senhor Ele os abençoava. Por outro lado quando os reis viviam conforme os seus próprios caminhos, o povo sofria as conseqüências e se apartava do Senhor. No concílio de Jerusalém se reuniram os apóstolos e anciãos para tratar sobre o tema da circuncisão. Logo, comunicaram a igreja o seguinte: "nos pareceu bem a nós e ao Espírito Santo...."

Em Antioquía foi o Espírito Santo que falou aos líderes da igreja acerca de Paulo e Barnabé. Essa relação com o Espírito Santo é que outorga autoridade aos apóstolos e anciãos para conduzir o povo nos propósitos de Deus e levar a igreja ao cumprimento de sua vontade.

A vontade de Deus é a UNIDADE DA SUA IGREJA. Os líderes da igreja podem ser um meio para unir o povo do Senhor ou para dividir ainda mais a casa de Deus. Os pastores de cada localidade devem funcionar como um só presbitério. Deus nos conceda graça para sermos fator de unidade.

A Igreja : Um só Fundamento

A preocupação do apóstolo Paulo foi a unidade da igreja em uma mesma localidade. Não há nenhum conceito que permita que os crentes de uma mesma localidade se dividam, formando grupos em torno do ministério de diferentes apóstolos. Alguns diziam "eu sou de Paulo", outros "eu sou de Apólo", ou "eu sou de Cefas", o " eu sou de Cristo". O apóstolo declara: "Ninguém pode por outro fundamento além do que já esta posto, o qual é Jesus Cristo".

Cuidados e Advertências

A unidade da igreja não é a unidade da "vassoura" onde se ajunta tudo: tudo que se chama "igreja", tudo que se chama "cristão".

A unidade se dá com aqueles que são da mesma espécie: com quem deve ser?, com somente os evangélicos? , com os protestantes? , com os católicos?, com quem?, com os que nasceram de novo? Ainda que alguns digam que tiveram uma experiência de conversão, ainda que digam que nasceram de novo, hoje constatamos que isso não é nenhuma garantia de que são filhos de Deus. Jesus nos ensinou a diferenciar entre os que "são" e os que se "dizem"; Jesus disse: POR SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS. O santo só se une com o santo. A espiritualidade na igreja trará como conseqüência a unidade. Se quisermos unir o carnal com o espiritual, provocaremos mais divisão. A casa de Saul e a casa de Davi não puderam marchar juntas, porém na medida em que o espiritual vai se fortalecendo a carne irá se debilitando e alcançar-se a maior unidade.
A unidade vem com o reconhecimento de autoridade. A unidade não deve dar-se só porque estamos de acordo. Estar de acordo é necessário, como é a santidade e a integridade. Porém também é necessário o reconhecimento de autoridade. Sempre me chamou a atenção Atos 8:1, onde se diz: "que todos foram dispersos, exceto os apóstolos". No meu entender esta unidade apostólica foi o ponto de referência para a unidade da igreja. Também a atitude de Paulo, que não decide por sua própria conta a não circuncisão dos gentios, senão que sobe a Jerusalém para tratar do assunto com os demais apóstolos, reflete a unidade que havia na igreja. Isto se dava pelo reconhecimento do princípio de autoridade. Paulo podia ter decidido por sua própria conta nas igrejas que havia fundado e que estavam sob os seus cuidados; porém consciente de que a igreja é uma, se submete a toda autoridade. Logo, o apóstolo Pedro em sua carta reconhece o ministério e a revelação que havia em Paulo, o apóstolo; o reconhecimento desta autoridade mantinha e deixa evidente a unidade que havia na igreja . Devemos reconhecer os ministérios e os dons que Deus vai levantando na localidade onde residimos se quisermos alcançar a unidade.

Nossa Vocação Pela Unidade

Por causa das divisões da igreja temos empobrecido. Os ricos recursos ministeriais do corpo de Cristo estão dispersos. A maioria das congregações tem um ministério uni-pastoral (singular) . Um só homem não reúne em si mesmo todos os dons e ministérios. Estamos desarticulados. Não funcionamos como um corpo. A bíblia nos fala de diversidade de ministérios. Onde estão? Onde estão os apóstolos e os profetas? Onde estão os que pastoreiam os pastores? Todavia não existe suficiente consciência de que um dos grandes dramas da igreja é a solidão ministerial? Até quando seguiremos assim? A igreja em cada localidade deve funcionar como um só corpo. Deve assumir, com todas as congregações do lugar, sua IDENTIDADE como A IGREJA DA CIDADE, pois tão somente em unidade poderá cumprir com sua missão integral no mundo.
Se juntos aos nossos irmãos da localidade assumimos nossa responsabilidade de que somos luz e sal, os problemas da cidade se tornam nossos problemas e assumimos nosso compromisso. Os pobres, os órfãos, as viúvas que estão desamparadas, as crianças e anciãos abandonados, os que sofrem injustiças, etc. , serão o peso da igreja da cidade.
Porém quando vemos todos estes problemas, e estamos sós nos apavoramos e dizemos: impossível para a nossa congregação. Porém quando enfrentamos em conjunto com os demais irmãos, PODEMOS; porque no corpo estão todos os recursos. Por causa da divisão estamos gastando mal os nossos esforços e duplicando os nossos trabalhos. NECESSITAMOS DA UNIDADE.

* Não nos resignemos a uma igreja dividida, como inimigos guerreando.
* Não nos conformemos com o fato de nossas congregações estejam mais ou menos bem.
* Não aceitemos a teologia da resignação, que diz que somos um em espírito.
* Não condenemos aquele que não vê, não compreende, ou que não tem fé. Só Deus pode revelar a sua palavra.
* Cremos que a unidade da igreja tem que ter sua expressão prática na localidade e que todos os crentes da cidade formam um só corpo.
* Cremos que Deus paulatinamente irá restaurando a unidade de sua igreja em cada cidade ou povo.
* Cremos que Deus previamente através do Espírito Santo, nos levará a um nível de santidade e espiritualidade que fará DESEJAVEL a unidade.
* Cremos que Deus fará, pois a unidade da igreja é um milagre tão grande que só Deus pode fazer.
* Cremos que a cruz irá operando em cada um dos pastores, depondo toda atitude carnal que impede a unidade.